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Notícia

Mulheres Inspiradoras - Entrevista Juíza Ana Beatriz do Amaral Cid Ornelas

  12/03/2021
  Atualizado em 19/04/2021



“Para muitos, a magistratura ainda é um espaço masculino. Quando se vê uma mulher jovem sentada na cadeira do juiz é comum haver uma estranheza, questionar a competência, como se o lugar não fosse dela.

Este é um trecho da entrevista com a Juíza Titular da 13ª Vara do Trabalho de Brasília e Diretora do Foro de Brasília , Ana Beatriz  do Amaral Cid Ornelas , nossa última convidada da série  “Mulheres Inspiradoras”.

O projeto é uma ação da ASDR, em comemoração ao mês da mulher, que traz entrevistas com personalidades femininas que se destacam por suas conquistas e ações profissionais dentro do Tribunal Regional do Trabalho da Décima Região (TRT-10).

 

Confira a entrevista completa: 

 

Em sua carreira no TRT, como tudo começou?

 Entrei no TRT em 1994 como Juíza Substituta, após aprovação em concurso. Nos primeiros anos, atuei em diversas varas no Distrito Federal. Em 2003, fui promovida a Juíza Titular, com atuação no Tocantins, nas Varas de Araguaína e Palmas. Apenas no final de 2005, retornei ao Distrito Federal, como Juíza Titular da 1ª Vara de Taguatinga, onde permaneci por 6 anos. Assumi a titularidade da 13ª Vara do Trabalho de Brasília em 2011. Atualmente, sou Diretora do Foro de Brasília.

Durante esses 26 anos de carreira, não posso deixar de registrar que convivi e recebi o apoio de pessoas maravilhosas: juízes, servidores, terceirizados e  estagiários, que tornaram o trabalho menos árduo. Minha trajetória foi de muito aprendizado.

 

 

Quais os maiores desafios de ser uma Juíza?

Acredito que o maior desafio é a luta para não perder a humanidade.

O excesso de trabalho pode nos levar a indiferença e nos colocar no modo automático, tendo como único objetivo julgar mais processos. Mas não podemos esquecer que o trabalho do juiz vai muito além de julgar processos.

Lidamos com vidas e com conflitos reais de pessoas, muitas fragilizadas e que depositam no Judiciário a sabedoria e a imparcialidade para decidir seus problemas. E essas decisões impactam a vida dessas pessoas. Isso não é simples.

Então além da responsabilidade, conhecimento, vocação e sentimento de justiça, temos que não esquecer que as pessoas que procuram o Poder Judiciário querem muito mais que uma sentença. Precisam de juiz humano, que saiba ouvir e entender, para só então decidir.

 

 

Como a Senhora descreveria as limitações para uma mulher Juíza, quando iniciou sua carreira? O que mudou de lá pra cá? 

O preconceito contra a mulher ainda é um elemento forte que impacta a realidade e se faz presente em todos os espaços, sejam eles públicos e privados.

O estereótipo do juiz como um homem branco, de meia idade, ainda persiste. Para muitos, a magistratura ainda é um espaço masculino. Quando se vê uma mulher jovem sentada na cadeira do juiz é comum haver uma estranheza, questionar a competência, como se o lugar não fosse dela.

Ainda hoje é possível constatar casos de discriminação, preconceito, sexismo contra juízas por parte de advogados, partes e até de outros juízes.

Afora essa situação, temos discrepâncias injustificáveis na carreira. Segundo dados do CNJ, na magistratura nacional, 44% dos juízes substitutos são mulheres, mas nos tribunais superiores somos apenas 16%, o que demonstra o claro afunilamento hierárquico.

Veja a participação feminina está longe de ser equilibrada como ela se apresenta na divisão da sociedade brasileira entre homens e mulheres.

 

 

Como mulher, qual foi o grande desafio para sua vida pessoal? 

Meu maior desafio sempre foi conciliar a carreira com a maternidade, o que não é nada fácil.

A nossa sociedade ainda entende que as atividades  familiares  são obrigações exclusivas da mulher e acabamos, nós mulheres, por introjetar essas normas comportamentais associadas à divisão tradicional de papéis sexuais. Então a sobrecarga é enorme.

Quando fui promovida a Juíza Titular no Tocantins, já tinha 3 filhos e todos eram muito pequenos. A menor tinha apenas 2 anos. Lidei com vários sentimentos conflitantes e ouvi comentários desagradáveis, como se estivesse abandonando meus filhos e colocando o trabalho em primeiro lugar. Acredito que os juízes homens que trabalharam no Tocantins não sofreram o mesmo julgamento e a mesma cobrança.

A minha experiência fortaleceu mais os laços familiares e proporcionaram aos meus filhos uma visão mais justa do papel da mulher na sociedade.

 

Em sua opinião, o que é “ser mulher”?

Ser mulher é lutar todos os dias por igualdade e para ter seus direitos e sua competência reconhecidos. É ser forte bastante para enfrentar desafios e dificuldades e livre para escolher e decidir seu destino.

 






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