A ASDR acompanhou, nesta quinta-feira, 28 de maio, a audiência pública “Mulheres no Mundo do Trabalho”, realizada presencialmente na Sala de Sessões Desembargador Herácito Pena Júnior, no edifício-sede do TRT da 10ª Região, com transmissão ao vivo pelo canal da Décima no YouTube.
O encontro reuniu reflexões importantes sobre os desafios enfrentados pelas mulheres no ambiente profissional, especialmente no que diz respeito à igualdade material no trabalho, aos obstáculos à ascensão profissional, ao combate ao assédio e a outras formas de violência, além da necessidade de políticas institucionais mais inclusivas e efetivas.
Durante sua fala, a servidora Samantha destacou que, embora homens e mulheres possuam os mesmos direitos previstos legalmente — como nas resoluções do CSJT e nas portarias internas do Tribunal —, a igualdade formal nem sempre se concretiza na prática.
Segundo ela, o desafio está não apenas no acesso ao trabalho, mas principalmente nas condições reais de permanência, crescimento, valorização e reconhecimento das mulheres dentro das instituições.
> “Nós, mulheres, ainda precisamos fazer muito mais para alcançar os mesmos espaços masculinos, com o mesmo reconhecimento e as mesmas oportunidades”, destacou.
A servidora também chamou atenção para a desigualdade material que se manifesta na rotina diária, especialmente por meio da dupla ou tripla jornada, quando mulheres precisam conciliar trabalho, cuidado com filhos e familiares, tarefas domésticas e responsabilidades profissionais.
Outro ponto ressaltado foi a existência de barreiras silenciosas no ambiente de trabalho, muitas vezes invisíveis, mas que contribuem para a desvalorização da mulher. Situações aparentemente simples, como críticas ao tempo de uso do banheiro, piadas quando uma mulher relata dor de cabeça ou julgamentos quando solicita um horário que permita retornar para casa com mais segurança, revelam como a rotina feminina ainda é marcada por incompreensões e desigualdades.
A fala também trouxe uma reflexão sobre a interseccionalidade. Samantha lembrou que as dificuldades não atingem todas as mulheres da mesma forma. Mulheres negras, mulheres com deficiência, mulheres mais velhas, mães solo e mulheres em situação de maior vulnerabilidade social enfrentam obstáculos ainda maiores para acessar oportunidades e crescer profissionalmente.
Para ela, tratar todos exatamente da mesma forma pode, muitas vezes, reforçar desigualdades já existentes. A mulher negra, por exemplo, frequentemente precisa demonstrar mais produtividade para obter o mesmo reconhecimento. O mesmo ocorre com mulheres com deficiência, que enfrentam barreiras adicionais em comparação a pessoas sem deficiência. Já as mulheres mais velhas sofrem com o etarismo, enquanto mulheres mais jovens podem ser desvalorizadas sob o argumento da “inexperiência”.
A audiência reforçou a importância de ambientes de trabalho mais inclusivos, com políticas efetivas de valorização profissional, combate à discriminação, incentivo à liderança feminina e respeito à diversidade.
Para a ASDR, debates como esse são fundamentais para fortalecer uma cultura institucional baseada na equidade, no respeito e na ampliação de oportunidades.
A Associação reafirma seu compromisso com a valorização das servidoras e servidores do TRT-10, bem como com a construção de espaços de trabalho mais justos, humanos e igualitários.




